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melancolia, mon cher

valadares

in the street of the sky night walks scattering poems   More

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valadares's photo from 11/13/09
Nikon D40X
Permalink | Report photo | Share: Email Facebook Other

11/13/09
Eu já não sei dizer qual foi a faísca que iniciou a iluminação da minha descoberta, nem estou mesmo preocupado com isso. Já tive um prazer adolescente meio idiota e vaidoso de guardar cada pequeno acontecimento do processo de pensar, como se fosse algo intrinsecamente meu – algo que elaborei através de um mecanismo qualquer de raciocínio consciente. Hoje acho isso uma confusão infantil. Não me sinto responsável pelo que ocorre à minha cabeça. Acho que pensamentos são como mato crescendo num pedaço de terra qualquer. Você pode adubar, pode escolher minerais – pode até construir um cercadinho pra uma roseira e aguá-la com mais carinho que as outras, pode cuidar de um raminho até que se transforme num enorme carvalho – mas eu não me sinto realmente responsável pelas coisas que penso – pelo que nasce aleatoriamente no meu campo mental.

Só posso dizer com certeza que foi algo banal, andando na rua. Algo como pesquisar o melhor lugar para colocar o pé ao subir um paralelepípedo, ou como decidir dizer “Saúde” pra uma garota que espirra, escolher o momento certo de atravessar a rua entre os carros, eu realmente não consigo me lembrar. Sei que algum fato assim, banal e completamente desconexo, iniciou uma reação em cadeia de pensamentos e associação de idéias que me atirou numa Eureka que venho buscando há tempos.

A ascensão que eu busco não pode estar lá em cima numa nuvem de pensamentos desapegados, nem pode estar aqui em baixo, quente como a carne, suja de sangue e de lama. É como algo que me ocorreu há muito tempo pensando sobre inteligência. Saber qualquer assunto determinado não pode trazer pra ninguém os benefícios da inteligência – afinal, qualquer um de nós sabe algo sobre alguma coisa. Eu conheci inúmeras pessoas que imaginavam conquistar a inteligência através de conhecimento sobre a música, ou sobre a filosofia, ou sobre matemática, etc... E você passa os dias exposto a idiotas palestrando magnificamente sobre este ou aquele assunto. Basta imaginar, no espaço, um plano cartesiano qualquer – cada um desses indivíduos é um ponto em algum lugar do plano, e por considerar que aquele é o ponto fundamental para a sabedoria humana, eles imaginam estar “mais alto” que os outros. Mas na verdade, são apenas pontos medíocres seletivamente posicionados.

O segredo, eu imaginei, era expandir-se. Tocar vários pontos ao mesmo tempo, deixando assim de ser apenas um ponto intelectual; evoluindo para uma reta, uma curva, ou mesmo um sólido círculo ocupando vários pontos desse plano intelectual. Só assim poderia surgir a verdadeira sabedoria, eu imaginei.

Naquele tempo meus pensamentos sobre isso eram simples como acabei de descrevê-los. Eles têm se complicado, mas a revelação que eu tive é sobre um assunto completamente diverso da evolução intelectual, e meu pequeno broto de compreensão encontra-se ainda no mesmo estágio de crescimento.

A ascensão que eu procuro não pode estar lá em cima, numa nuvem. Disso eu já tenho certeza. Também não tem ajudado muito rolar no chão, revirando o barro. Agora eu acho que entendo. Preciso me esticar. Aumentar minhas capacidades e tocar dois pontos ao mesmo tempo. Respirar o ar das nuvens com os pés no chão.

Como eu pretendo alcançar isso?

Não faço idéia. Parece impossível, mas eu nunca me incomodei com idéias impossíveis. O que sempre me anulou foi a falta de um destino. Agora, pelo menos, eu sei onde quero chegar.

Um passo pra frente. Um de cada vez. Prevejo paredes no caminho, mas vou tranquilo. Algumas eu posso pular e, na falta dessa possibilidade, posso bater minha cabeça na parede até que alguma coisa se quebre.

É o que tenho feito até agora - e ainda que por várias vezes eu tenha pensado que estava ficando louco (que estava preso dentro d'água sob uma parede de gelo), continuo aqui; exposto a novas preocupações.
Photo uploaded at 2:48 AM

Guestbook Comments (5)

é, e são essas preocupações da vida que fazem a gente escrever, partir, amar.

Um brinde ao sexo oral!


hahaha

Não é? Também acredito que não sou responsável pelos meus pensamentos, porque pareço nunca decidir no que pensar, no que é bom pensar. Ou então eu tenho tanto controle que sei exatamente os pensamentos certos pra me ferir. rsrs

Continue na sua busca, creio que está no caminho certo, se é que existe algum caminho certo.
Aguardo suas respostas, então!
=P

Beijos.

Ahhhh a história... Cada um tem a sua, e somos um todo q se colocarmos nossos pedacinhos em cima da mesa vamos encontrar
quase todos os pedacinhos de quem somos com quem estivemos, e com quem estivemos talvez mais do que quem fomos. Pq somos hj
apenas e somente pq fomos um dia.
Paz aí

celular serve pra isso também né! /o/
haha beijos

O segredo, eu imagino, é me sentir dividida em vários milhões de pedacinhos com o único objetivo de se encaixarem perfeitamente com os vários milhões de pedacinhos divididos dos outros pra que eu encontre o êxtase em ser sempre bem acompanhada de bons amigos e amores. Viagem, né? É a onda... hahahaha

;*

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