Tão triste! Triste, sozinha e delicada...
Pobrezinha dela que nunca alimentara a alma, o corpo e o coração...
Inalcançável tornava-se, enquanto o coro continuava a dizer: “Coitadinha dela!"
Toda vez em que alcançava algo (e Deus sabe que não se tratava de muita coisa), naõ demorava muito a chegar alguém para lhe arrancar das mãos sua única alegria.
Pobrezinha!
Por inúmeras vezes, caminhou, cegamente, sem chegar a lugar nenhum e, em muitas delas, foi usada e abusada por qualquer alma faminta e desesperada. Séculos passados nisto, nunca se estendeu uma mão que afrouxasse a corda que se entrelaçava em seu pescoço.
Entretanto, continuou andando por não haver mais nada que pudesse ser feito. - "Ah, coitadinha dela!"
Estranhamente, havia algum tipo de calma morna que ela emanava e que causava um certo calafrio!
Já exaurida sua “esperança” (por assim dizer, é claro) conseguiu, através da teimosia e de algo que só ela tinha, o pouco de dignidade que lhe permitiu seguir em frente.
Percebeu que o mais forte não era aquele que machucava mais, mas o que agüentava a dor por mais tempo.
Heroicamente, sua delicadeza se convertia em coragem e, sua fraqueza lhe despertava a vontade de lutar.
NOCAUTE!
A pobrezinha ergueu-se em borrões mal sombreados de pressa e fúria para que, pela primeira vez, pudesse tomar aquilo que lhe era de direito: TUDO. E, assim, seguiu sem se intimidar e sempre grata ao coro que dizia “Coitadinha” e, desta forma, a desafiava a pensar o mesmo deles.
Ela pode ter errado aqui ou ali porque tanta água, uma hora ou outra, teria que transbordar! Porém, mesmo após a última de suas pétalas ter caído seca e murcha ao chão daquilo que chamava de lar, ela reagiu.
Reagiu e a tudo o que lhe aterrorizou com persistência e coragem e, apesar dos pesares, ela pôde se gabar de uma ou outra semente de felicidade deixada para trás...
Além de tudo (e muito mais importante): ela amou com a graça de uma flor e transmitiu sua calma morna aos que a adoravam.
Nada disso foi suficiente para mantê-la firme e enraizada naquele jardim pois já estava muito maltratada e ferida quando começou a reagir.
De seu colapso, ainda experimentou aquilo que poucas pessoas conheceram: o fim, a liberdade.
E eu a amo por tudo isso.
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