Roberto Carlos e a saudade

Como acontece em toda família na pós data natalina, desde pequeno eu assisto o especial do Roberto Carlos na frente da TV. Variando dos dias 25 a 27 de dezembro, há 10 anos acompanho o show do Rei acompanhado da minha mãe e da minha vó. Devo admitir que assistia aquela parafernalha apoteotica repetitiva graças a minha vó, a jovial, efusiva e maravilhosa Dona Helena. Como qualquer mulher que viveu no século XX que já passou dos 40, ela ama as musicas dele. Sinceramente, nunca perguntei a ela o porque.
Há dois anos, quando minha vó começou a vir aqui só em datas festivas, e no Natal as vezes ela não vinha (pois tinha que passar com a minha tia também), começei a ver o especial Natalino de RC com maior atenção, tentando ver aquilo que Dona Helena via naquelas canções. Descobri aos poucos a beleza na musica daquele homem, falando de paixão, solidão e amor, muito amor.
No último dia 25, anteontem, vi o show, como de costume. Em certo momento, quase no fim, já de saco cheio, quis desligar a televisão. Foi quando Roberto pegou o seu violão, empunhado na sua perna manca, e começou a dedilhar "Detalhes". Essa musica, um dos seus maiores sucessos, nunca me chamou atenção. Nunca prestei atenção na sua letra... Resolvi fazer isso dessa vez. Percebi a sua força ao falar de ciume, usando uma emoção muito forte nas palavras.
Às 16h 15min de hoje, Dona Helena faleceu, sofrendo um infarto no miocárdio, aos 82 anos de idade. Há exatamente 60 dias, ela foi atropelada por um motociclista embrigado às 6h da manhã quando ia em direção a padaria, e estava internada no CTI do Hospital de Três Rios, onde meu primo trabalha. Ao reescutar "Detalhes", do tão querido RC da Dona Nina, percebo palavras que me chamaram a atenção, talvez por um sentido aguçado, há dois dias atrás naquele especial:

"Eu sei que esses detalhes
Vão sumir na longa estrada
Do tempo que transforma
Todo amor em quase nada
Mas "quase"
Também é mais um detalhe
Um grande amor
Não vai morrer assim
Por isso
De vez em quando você vai
Vai lembrar de mim...

Não adianta nem tentar
Me esquecer
Durante muito
Muito tempo em sua vida
Eu vou viver
Não, não adianta nem tentar
Me esquecer..."

Ao ler essa letra, agora, percebo q além de retratar um ciúme, o homem da perna manca com TOC sem querer (ou não!), quis falar, nessa parte, de uma pessoa que se despede, que vai deixar saudade, mas nunca vai ser esquecida.
O Rei para mim agora representa mais que uma figura respeitada, me lembra ela. Minha vó vai estar presente comigo sempre, mas principalmente quando tocar "As curvas da estrada de Santos" ou a preciosa "Detalhes".
Paz.

On December 27 2009 Edit






peps3

male - 23/11/1989 (22 years old)
132 Photos
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brazil




Loading ...