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Estou preenchida de um vazio absoluto.
Sem nem ter pra onde apontar a tristeza.
A vida me disse que sou eu quem inventa motivos.
Mas quem me inventou foi ela. Por isso sempre lhe digo: que se não fosse ela, não haveriam motivos.
É fácil esconder quando a gente sabe que algo acontece com a gente. Difícil é quando a gente não sabe, aí os outros descobrem primeiro.
Esconder é palavra feia, mas em certos contextos ela pode ser um pacto de respeito com nós mesmos.
Quando nos vemos desencaixados do mundo, pra onde você acha que a gente olha? Pra ele?
Não. Olhamos pra dentro.
Eu não busco constatar mais nada. Ninguém conhece mais a mim do que eu mesma. E nem faço questão de que isso mude.
Eu só queria encontrar as razões que fazem ser quem eu sou, e as emoções que desfazem ser quem eu sou.
A verdade é que não me aceito muito bem, mas também não sou nem um pouco severa comigo. O que me faltou de persistência, me sobrou de complacência.
E há mil outras verdades sobre mim, onde metade delas, com o tempo se transformam em mentiras, porque estas se transformam comigo.
E se repararem, muito do que digo parece num fazer sentido. Porque sentido é uma das coisas que por muito tempo fiquei buscando no mundo lá fora, e que quando resolvi olhar pra dentro, também não acabei encontrando.
Eu volto pro vazio absoluto lá de cima. Definição clichê de personagem solitário.
Taí uma coisa pela qual eu posso dizer que sou responsável. Tanto em causa, quanto em compromisso.
A vida até que acerta alguns palpites sobre mim, só não é boa de pontaria. Pede pra ela apontar alguma direção...
Nunca tive direito em saber a direção, nem a manual de instrução, nem a devolução e muito menos a assistência técnica.
Sem deixar de dizer que esta minha mania de ‘funcionalismo’ é papo-besteira. Eu sei onde estão as coisas, e o pior, eu sei o quanto elas me podem ser plausíveis.
Talvez seja porque o vazio me faz bem.
O amor é num é aquela coisa que todo mundo enche a boca pra falar, mas que muitas vezes ele bota pra fuder em cima dos outros? Então...? Cada qual com seus pros e seus contras.
Eu continuo sem ter pra onde apontar de onde vem a tristeza. E não quero ter a clareza de descobri isso ainda jovem, ou acabaria velha antes do tempo. Ou acabaria a graça.
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On January 08 2011 Edit






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