- Capitulo I -
[u]O assassinato do Sr. D[/u]
Edward era um cara alto, magro e muito branco. Quase sempre usava pulseiras, jeans e blusas estilo visual kei ou suspensórios e tinha o cabelo sempre numa cor diferente. Uns diziam que ele tinha visual igual aos dos vocalistas de bandas de rock japonês, mas ele tinha visual Raito. Audrey era baixinha (herança genética da mãe japonesa), magra e mais ou tão branca quanto o irmão. Sempre com um sutiã de bojo e um underbust na cintura, saias curtas e botas extravagantes, mas nada chamava mais atenção que seu cabelo verde berrante e seus piercings desaprovados pelo sistema.
Dividiam o mesmo quarto numa casa pequena no subúrbio de uma cidade Pensilvana. A casa era quase igual a todas na Rua Cincher, tinha um jardinzinho com algumas flores multicoloridas amavelmente cuidadas pela Srª. Tashiro, um balanço feito com aqueles pneus velhos e uma macieira que a muito servia como ponto de encontro dos Tashiros e CIA. Ao abrir a porta principal, podia-se ver sempre uma senhora de cabelos longos e impecavelmente lisos lendo ou arrumando a sua sala, e a sala era impecavelmente limpa: o papel de parede era vermelho e aparentava ter muitos anos de uso, a cerâmica branca e os sofás vermelhos davam um ar muito curioso à casa dos Tashiro, havia quadros aqui e ali assinados por Edward McCarcery e uma grande e aparentemente confortável poltrona cinza ocupada por um homem gordo e careca que desenhava alegremente num caderno de capa dura. Era muito raro ver a televisão ligada, os McCarcery ocupavam seu tempo com coisas muito mais úteis: como ler e desenhar.
A campainha da casa vinte e três tocou.
- Mãe, eu esqueci a chave!
Uma voz rouca falou com dificuldade do lado oposto da porta. Era um garoto alto e de olhos puxados, possuía os cabelos metade negros e metade louro branco. Vestia naquela tarde uma calça jeans preta e surrada, tênis all star e uma blusa social manchada com um liquido viscoso e vermelho, a gravata estava frouxa e ele pingava suor por todos os poros. Tragou seu Gitanes deixando a fumaça escapar por entre os lábios finos. Limpava constantemente um nariz sangrento que parecia estar faltando um pedaço. A senhora Tashiro abriu a porta com delicadeza.
- Edward! O que aconteceu com você?! Meu Deus, o que ouve com seu nariz?
Edward colocou a mão na porta manchando-a de sangue e jogou o filtro do cigarro no chão. Pegou o lenço impecavelmente branco da mãe e amarrou sobre o nariz.
- Edward, fale comigo!
A mãe insistiu com sua cestinha de remédios a posto.
- Eu não tenho tempo agora, mãe... Onde está a Audrey?
O falso japonês respirava ofegante pela boca. Não esperou resposta. Correu para a escada de madeira que dava para o primeiro andar de sua casa e deparou-se com o pai pintando a parede, Edward filho sabia que a mãe odiava quando seu marido pintava as suas paredes branquinhas. Edward pai olhou para Raito com um ar de surpresa, levantando-se de um pulo e andando depressa de encontro ao japonês, arregalou os olhos apontando assustado para a camisa do filho e desabou palavras sem sentido de preocupação.
- Calma pai. Eu preciso de grana, toda a grana que o senhor puder me arrumar e agora.
continua...
On July 09 2008
Edit