[AS COISAS NÃO SÃO MAIS COMO UM DIA FORAM, E A NOITE JÁ CHEGOU]
Eu ando filosofando um bocado ultimamente. A última vítima foi a permanência das pessoas. O que me levou a divagar sobre isso? O fato de eu ter de deixar o trabalho. Pensando mais a fundo, me dei conta que TUDO se encaixa nisso. Afinal, todos nós conhecemos inúmeras pessoas ao longo de nossa vida.
No STJ, meu primeiro colégio, eu devo ter conhecido mais de cem pessoas. Eu ainda falo com no máximo cem. Ainda vejo ou me encontro com no máximo trinta. Mas apenas umas dez são amigas verdadeiras. Quando eu fiquei doente, também conheci muitas pessoas. Algumas são inesquecíveis. É claro que eu lembro de várias, mas lembrar é diferente de nunca esquecer. Agora, mais recentemente, veio o trabalho. Conheci bastante gente (como sempre), mas a Beti, a Sandra, cara... elas me marcaram mesmo. Será que, algum dia, eu vou voltar a vê-las?
Agora, no meu presente, também existem inúmeras pessoas. Sei que algumas vão permanecer. Diria que elas são eternas, mas eu também pensei que as Musas eram eternas, e, bem, viu no que deu? Me abandonaram quando eu mais precisei delas. Ok, eu vou deletar essa frase, porque de certo modo eu também posso ter abandonado elas. É só que as pessoas nunca fazem o que eu espero... talvez seja besteira esperar que as pessoas fariam por mim as mesma coisa que eu faria por elas... eu acabo sempre gostando mais das pessoas que ela de mim; me apegando mais, confiando mais, me sacrificando mais; mas eu sou pisciana, e, como dizem, o pisciano quebra a cara quantas vezes que for, e nunca aprende. Talvez um dia eu aprenda, talvez não...
Ok, voltando. Quem do meu presente estará no meu futuro? Quem retornará do futuro? A quantos e quais caminhos a vida vai me levar? Quantas vezes esses caminhos cruzarão os de outras pessoas? Antigas? Novas? Permanentes?
Pessoas vêm e vão. Mas quem permanece? Quem deixa sua marca?
Será que eu deixei minha marca? Será que eu marquei as pessoas que me marcaram, tanto quanto?
Será que, um dia, num futuro longínquo, vou receber uma ligação de alguém do STJ/J que eu havia deixado no passado? Será que um dia, em um bar, contando histórias, alguém contará que conheceu uma guria tão falante que se chamava Clarissa? Será que a pessoa que contará essa história terá me marcado tanto quanto eu a marquei?
Nada acontece por acaso. Não existe um destino, não estamos predestinados para nada; nós somos donos das nossas próprias escolhas, mas cada uma que tomamos tem um motivo.
E, afinal...
QUEM PERMANECERÁ?
On September 17 2006
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