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Com a idéia pronta, o nome e a música, Luiz e Cris precisavam definir quem: - tocaria baixo e/ou seria o vocal.

Não tinham a menor idéia de como se montava uma banda, mas viram nos programas de TV, e em revistas que seus conjuntos preferidos tinham pelo menos uma bateria, um baixo e uma guitarra. A função de vocalista já foi delegada a Cristian que acabara de passar pela puberdade e sua voz não era mais como a de um sapo de brejo ao contrário da de Luiz que hora parecia uma menina, e na outra quase se engasgava com a grossura da mesma. A função de guitarra e baixo fora decidida em um sorteio realizado com papeizinhos ainda na biblioteca.

Foram os três a única loja de instrumentos musicais da cidade, e não foram bem recebidos; O vendedor era um senhor barbudo, mal humorado, e chato. Keila conversou com seu irmão mais velho que já teve banda ela fez uma lista de itens básicos que iniciantes deveriam ter; Tinham dinheiro guardado de mesadas não investidas em mercearias, e dos irmãos mais velhos que pagavam por momentos mais reservados e a vontade com suas respectivas namoradas.

Os itens eram: dois microfones, dois pedestais de microfones, duas caixas de som, uma guitarra, um baixo, um pedal de guitarra. A pequena fortuna que dispunham mal dava pros instrumentos. Conseguiram com muita barganha e discussão que levou a tarde inteira: uma caixa de som, um microfone, um pedestal, a guitarra e o baixo. Os mais baratos da loja, e com qualidade equivalente.

Quando saíram da loja caiu a ficha “-E a bateria?” Falaram quase que em uníssono, olhando pra moça. Ela disse que o tio tinha dado a ela uma bateria velha e que não tinha onde colocar. Que tava guardada no porão de casa, sem o seu pai saber.

Chegando a casa de Cristian, perguntaram como seria pra conseguir o resto do equipamento. Ele já tinha uma idéia, só precisava saber se seu pai ainda não chegou pra poder fazer. O aparelho de som velho da casa, que ninguém colocava a mão há anos tinha duas entradas pra microfone, e em várias festas de família já brincaram de karaokê, o que fazia ter certeza que havia um microfone velho perdido em algum canto, dentro de alguma caixa em algum armário.

A mãe de Cris adorou a idéia, e falaram que eles poderiam tocar algumas horas a tarde depois da escola, e das lições devidamente prontas. Só que o aparelho de som teria que ser recolocado todos os dias no mesmo lugar logo após terminarem. Concordaram e foi os três até a casa de Keila trazer a bateria. Era um pouco menor que Cristian imaginara; Mesmo assim tiveram que fazer ‘duas viagens a pé’ entre dois quarteirões pra conseguir carregar tudo.

Só ficava faltando um pedestal, e um pedal pra guitarra. O outro pedestal o tio de Keila fez de madeira, e ele ficou tão firme como os comprados nas lojas. E era o charme da banda, e depois que gravaram o então K7 a foto da capa era o ‘segurador de microfone’ como era descrito pela dona Lizandra.

O pedal era o item na loja mais caro, chegava a custar mais que a guitarra e o baixo juntos. Cristian não iria se entregar; precisava daquilo pra devolver a gentileza à professora de geografia. Foi na loja no dia seguinte e viu o vendedor tendo um princípio de atividade adulta com uma moça novinha. Fingindo olhar para uma viola caipira, Cristian perguntou se ele tinha um pedal pra guitarra pra tocar igual a banda que tocariam no festival, o velho identificou o garoto que fora ali no dia anterior e levou metade dos produtos que tinha. Falou o preço e o novo guitarrista da cidade não tinha mais que algumas moedas no bolso, e não desceria o nível de usar o que vira pra chantagear o vendedor. Mostrando o pedal que havia simpatizado, sem ao menos ouvir o som, propôs que em troca de um mês de trabalho, limpando a loja e ajudando com as vendas, o item em questão seria seu. O Senhor pensou e ponderou, não imaginava até onde iria a língua de um adolescente, e depois com alguém cuidando da loja, teria mais tempo pra ver suas ‘amigas’. Depois de alguns minutos concordou com a idéia. Cristian só tinha um pedido, que levaria o pedal naquela hora e que o senhor teria que acreditar em sua palavra. Diante do silêncio do ocorrido minutos antes, não tinha como recusar.

Indo pra casa com a caixa na mão, passa em um orelhão, ligando pro Luiz dizendo que conseguiu o pedal, depois das devidas explicações, pediu pra ele ligar pra Keila e encontrá-lo em sua casa.

Chegando lá a confusão estava formada. O senhor Malta dizia aos gritos que seu filho não perderia tempo fazendo barulho e incomodando a vizinhança e tampouco usaria o aparelho de som que foi comprado em milhões de vezes.

Assim que o pai de Cristian viu o aparelho em sua mão, pegou o filho pelos braços sacudindo-o, deixando cair a caixa no chão, e ainda aos berros perguntara onde ele roubou aquilo;

Quando Cristian começou a chorar ele deu um tapa na cara. E Cristian correu pro seu quarto.

Continua...
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On November 14 2009 Edit






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male - 20/11/1983 (28 years old)
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