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Apertou forte, não para machucar, mas suficiente para deixar-la sentir-se segura. Puxou para junto de seu corpo, os olhares estavam mais perto do que nunca, quase dava pra sentir o ar da respiração tocar a pele dos rostos. Logo após o abraço que levou anos para acontecer, confortável, acolhedor. Com um encaixe perfeito.
Ficaram ali por algum tempo, seria uma hora, duas? Os dois perderam a noção de onde estavam e...; só não queriam sair daquela posição agradável tão cedo. Quando Cristian pega outra vez na mão de Laila e tenta iniciar uma conversa.
- Senhorita Laila, eu te conheço ele sorri e a toca no rosto você ta com problemas, certo?
- como adivinhou? deixando cair uma lágrima escondendo-a com um sorriso radiante eu tava precisando conversar com alguém familiar, de confiança, na verdade e queria falar era só com você...
E ele levou-a para o quarto que outrora tinha sido dos dois, que lembravam vários momentos bons, várias coisas bacanas. Prestou atenção em cada palavra, nos movimentos labiais, ouvindo cada som que saia daquela boca.
-Tenho uma proposta de trabalho na Europa, você sabe como o mercado aqui no Brasil está difícil, e que no segmento que atuo é mais complicado ainda, em cidade de interior, quase impossível. Eu quero algo mais que estar atrás de uma sala assinando papéis e entregando relatórios. Eu quero fazer a diferença... Já estava com as malas prontas quando recebi sua ligação, e isso mudou tudo, perdi completamente o norte, a vontade de morar em outro lugar. Sua voz me mostrou tanta calma, paciência, confiança e... Saudades; Me senti culpada ao vir pra cá, ainda mais que como eu disse, eu tenho alguém, que inclusive vai, ou iria, largar tudo aqui e morar comigo lá. Ele disse que entendeu, e me deu força pra vir aqui me despedir de você.!
As quatro últimas palavras foram um banho de água fria em Cristian, ele pensou nos últimos anos, no rumo que sua vida tinha tomado, e como as coisas estavam mais fáceis depois de ter colocado de novo Laila em seus dias. Pensou que não poderia ser egoísta, lembrou da promessa que fizeram e ainda passando aquele filme na sua cabeça largou a mão de Laila que até então estava mais do que entrelaçada a sua; e com uma completa falta de sinceridade e sensibilidade respondeu:
- Sua carreira é mais importante baixando a cabeça continuou sei também que morar fora do Brasil é um sonho que interrompemos por... olhando para a barriga dela e foi incapaz de terminar a frase ... Não posso permitir que desistas do que construiu por causa de uma ligação. Peço que me perdoe... agora engolindo a seco e fazendo toda a força para não chorar ... Adeus Laila.
Os olhares se encontraram de novo, os chorosos de Laila e os frios e secos de Cristian. O final do mini-monólogo que ela tinha feito ressoava em sua cabeça de maneira assustadora: me despedir de você, me despedir de você, me despedir de você, me despedir de você... , me despedir de você... , me despedir de você...
Laila saiu correndo do quarto chorando, suas coisas já estavam organizadas perto da mala e jogou tudo dentro da mesma sem nenhum cuidado, sem sequer querer saber se iria quebrar ou não, com pressa e em menos de um minuto saiu batendo a porta, deixando sua cópia da chave sobre o sofá...
Cristian ficou lá, no mesmo lugar, só havia mudado a posição de sentado pra deitado olhando pro teto. Já era dia quando saiu do transe, o sol tocava sua pele branca, quase que queimando, e ainda que estivesse incomodando não queria sair daquela posição, não queria dar o prazer ao seu corpo de se mexer depois do que fizera na noite anterior. Era um misto de vergonha com sentimento de incapacidade, pela segunda vez havia perdido Laila, e dessa vez a culpa fora inteiramente SUA.
O telefone tocou várias vezes, hora eram mensagem de texto, outras ligações, com certeza nenhuma do celular de Laila. Havia configurado o aparelho para tocar a música da formatura se ela ligasse. Não queria falar de trabalho, não no sábado, na verdade não queria falar de coisa alguma. Curtir sua fossa era o único plano para os próximos dias.
Adormeceu... Acordando várias horas depois, 29 ligações não atendidas, 65 mensagens de textos, nenhum importante. Nenhum que valesse a pena mover-se, estivar o braço, mover músculos de dedos, braços, tendões para apertar botões. Continuava lá, deitado, o teto mais branco do que nunca... As costas estavam formigando, mas não tinha coragem de mover um milímetro de onde estava. Ou seria que não tinha forças. Pensou no que perdeu, no pouquinho que reconstruíram nos últimos dias, na companhia, nas risadas, nas conversas, no que ela contou. E no Adeus...
Quando a campainha tocou outra vez.
Continua...
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On October 02 2009
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