Espelho Quebrado
[i]Acordou na mesma posição que havia ficado desde que deitara. Abrira os olhos uns dez segundos antes do celular tocar a música que o despertava todos os dias. Pensou que hoje em dia os celulares adquiriram tantas funções que na grande maioria das vezes ele não é usado como telefone.
Levantou da cama e tomou um banho rápido. Colocou a primeira roupa que encontrou, sem muito cuidado com combinação de cores, nem tinha um conhecimento tão grande sobre isso, só sabia que uma calça jeans com uma camisa preta não chama muita atenção em um ambiente de trabalho.
Devidamente vestido, verificou o que iria ao bolso: chave, carteira, celular, moedas. Não tinha muita coisa para se dar ao luxo de esquecer, e foi trabalhar. -Incrível como nessa cidade as pessoas não gostam de andar! pensou ao ver duas moças aparentemente jovens pegarem um ônibus e descer dois pontos depois.
Pouco antes de chegar ao prédio onde ficava seu trabalho parou em uma padaria para tomar um café. Ao ver entrando o atendente, faz um aceno com a cabeça e pergunta: - Bom dia senhor Cristian, o de sempre? e com o mesmo aceno diz que sim. Um café com leite e um pastel de banana. Ambos não tinham gosto algum, servia ao menos para que o estômago não fizesse barulho nas próximas horas. Paga a conta com as moedas, ele se dirige ao trabalho.
- Bom dia senhor! Belo dia senhor! Bom dia senhor, como foi o final de semana? bom dia, bom dia, bom dia. - Porque as pessoas dizem tanto essas duas palavras? Será que elas realmente estão me desejando um bom dia ou já virou hábito? sentou na sua mesa; tinha um bilhete em cima do teclado do computador: A gentileza não custa nada, mas compra coisas incalculáveis! Reconheceu a letra de sua secretária, talvez o único bom dia sincero que ele ganharia o dia inteiro.
Ligou o computador, enquanto isso encheu uma garrafa de água para evitar perder tempo com o vai e vem do bebedouro, pensou que essa não era a melhor atitude. Mas tinha muita coisa a se fazer naquele dia. Depois de classificar os e-mails em ler depois, importante e lixeira, se pôs a trabalhar, com a cara totalmente na frente do monitor, não desviava o olhar nem por um acidente de carro barulhento que acabara de acontecer lá fora.
A manhã passou rápido, assim como à tarde. Usou seu horário de almoço para ver o que estava passando no cinema. Nenhum dos filmes chamou a atenção... Depois do expediente, alguns problemas resolvidos, outros deixados para amanhã, e a maioria simplesmente ignorados. Sabia que isso poderia causar um problema maior no futuro, mas não tinha cabeça para terminar algumas coisas agora.
Voltou para casa andando, pensou em talvez passar em algum lugar para beber algo. Péssima idéia. Passou na frente de uma casa com uma luz vermelha gritante na frente, pensou em entrar, mas seria inconcebível demais pagar por companhia.
Chegou em casa já era noite. Trouxe duas ou três folhas impressas de algumas coisas que queria comprar. Deixou em cima do sofá, foi tomar banho e ignorou o caderno com o cordão.
Logo após o banho se olha no espelho, e pensa tenho que cortar o cabelo decidiu que faria aquilo no dia de amanhã após o expediente. Viu a caixa com coisas a doar, não conhecia nenhuma escola nas redondezas... Levaria para o trabalho e pediria a Maura, sua secretária que procurasse a melhor instituição para se livrar daquilo.
Ligou seu computador, de novo na rede mundial de computadores... Verificou seu e-mail, nada de importante, nada na agenda... Nada... Nada... Nada, essa tem sido a constante dos seus dias. Abriu depois de algum tempo o comunicador instantâneo, a parte mais engraçada era que as pessoas literalmente ignoravam o nome de batismo o que há de errado com eles? pensou. Alguns ois, olás, boa noites, mas ninguém realmente interessante que valesse a pena perder tempo com papo. Ignorou os pedidos de conversas, e abriu o jogo paciência. -Mais deprimente que isso impossível pensou em voz alta. Sua meta era terminar o jogo por dez vezes consecutivas. Havia lido em uma revista de informática que era impossível. Como não tinha algo melhor para fazer, teve a iniciativa de testar se o que está escrito era verdadeiro. E não era;
A noite terminou como tantas outras, filme na TV, comida de microondas, vinho barato, comida pro Ludi e cama. Olhou para o teto de novo, parecia estar mais distante hoje.
Continua...[/i]
On May 29 2009
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